Pular para o conteúdo

Descansar também é um ato pedagógico: por que as férias importam para o professor?

tablet, digital, technology, coffee, white, minimalist, stylus, pen, device, samsung, workspace, tablet, tablet, tablet, tablet, tablet, technology, coffee, coffee, coffee, minimalist, minimalist, minimalist

Existe uma culpa silenciosa que costuma aparecer nas férias.
Aquela sensação estranha de que, se não estamos produzindo, planejando ou estudando, estamos “atrasados”.

Você já sentiu isso?

A escola para, o calendário pausa, mas a cabeça continua girando.
Planos para o próximo período, ideias soltas, pendências que não deram tempo.

E, junto com tudo isso, a impressão de que descansar é quase um luxo ou pior, uma falha. Mas quando foi que descansar deixou de ser parte do trabalho docente?

Quem ensina sabe: o cansaço não é só físico.
É mental.
É emocional.

É aquele desgaste que não aparece no plano de aula, mas pesa na forma como a gente entra em sala. Pensar, problematizar, ouvir, mediar conflitos, lidar com temas sensíveis… tudo isso exige presença.
E presença não se sustenta sem pausa.

É claro que há quem use as férias para estudar.
Ler com mais calma, aprofundar um tema, fazer um curso que durante o ano não cabe na rotina.
Isso também é legítimo.
Isso também pode ser prazeroso.

O problema começa quando o estudo vira obrigação.
Quando o descanso vira culpa.
Quando até o tempo de pausa precisa “render” alguma coisa.

Descansar não é abandonar o compromisso com a educação.
É reconhecer que ensinar não é uma tarefa mecânica.
Que não se faz boa leitura de mundo com a cabeça exausta.
Que não se sustenta uma boa pergunta quando o corpo e a mente pedem silêncio.

Talvez o problema não seja o professor que “não descansa direito”,
mas um modelo de trabalho que naturalizou a exaustão como prova de dedicação.

Será que não estamos confundindo compromisso com esgotamento?

As férias não precisam ser produtivas.
Elas não precisam render cursos, certificados ou planejamentos antecipados.
Às vezes, elas só precisam render descanso.

Porque voltar um pouco mais inteiro também é uma forma de cuidado com a sala de aula.
Com os alunos. E com o próprio sentido de ensinar.

O Cogito Criativo acredita nisso:
que pensar exige pausa,
que criar exige respiro,
e que descansar também é um ato pedagógico.

Se, nessas férias, tudo o que você conseguir for parar um pouco,
talvez você já esteja fazendo mais pelo seu trabalho e por você do que imagina.

Se essa reflexão fez sentido pra você, compartilhe com um colega ou siga o Cogito Criativo para mais textos como este.